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um eléctrico chamado desejo

um eléctrico chamado desejo

coliseu

o coliseu estava fechado. nem gladiadores, nem imperadores. muito menos death. o eléctrico tem de continuar viagem. a mesma. sempre para a frente. porque é para a frente que está a virtude. nunca no meio. no meio de nada. sigaaaa.

de cristo

ruas sabe deus de quem. perdidas de todos os que arquitetaram cidades. mas há gente como a gente. só se vê o que está à vista. amostras. as peles penduradas de cada um. como cristo é o que somos.

extra trampa

coisas estranhas assolam a carreira deste elétrico. já não bastavam carretas e carros, tuk tuk's e trotinetes. tempos estranhos que vivemos. é o capitalismo, é o que é. agressivo, como se vê. estampou-se. menos um.

butterfly

saídas do casulo subterrâneo onde respiram, o metro. só abrem asas à luz. natural. do sol que desfaz o casulo. cá fora respiram com dificuldade, mas ganham asas. nada é perfeito, a não ser o voo.

gula

o eléctrico tem paragem obrigatória aqui. bairro alto. local de assalto privilegiado para o carteirista. o dia foi proveitoso. incautos foram apanhados. é a vida. agora gozada. pelo carteirista ante os despojos. e delicia-se. é pecado. sabe-se. ai mas como é boa a gula. que se lê, que se engole. paramos. que venha outro elétrico.

leitura de viagem

lê-se no eléctrico. ou somos lidos. um passageiro habitual. o valter. como outro passageiro diz, o mia couto, o valter usa o livro como máquina de fazer sentir. sintamos.

eagles

no eléctrico tudo acontece. a vida anda sobre carris. presos à calçada. imutáveis. no que está definido. e hoje o carteirista foi assaltado. também acontece aos carteiristas. até aos bons. este carteirista foi assaltado de felicidade. é música passageiros. para voar. eagles of death metal. felicidade assassinada noutros ares de capital. paris. hoje oremos. os acordes vão chegar ao céu. para onde vejo. sempre.

entrar

subi. o eléctrico arrasta-se. sente-se o peso da carcaça.

guincha. não de dor que isso são coisas demasiado mecânicas. Dor de prazer que é humana.

subi e não vou só. Há uma passageira que sem saber me espera. solitária. sorri para mim. carteirista. assaltante de corações. estamos juntos.

a viagem

iniciei a viagem. esperei como quem espera adormecer e naquela noite segui. o sonho. aguentei na paragem o frio que que se espetava. passou um táxi e palpitei. exitei. era pegar ou largar. mas larguei porque não é mais rápido que se pode ir longe. e já estava à espera. há tanto tempo. não podia largar o que estava por chegar. esperar é uma virtude. mas quem quer ser virtuoso no frio da noite? é que estou só com o táxi. mas deixo-o ir. não era para mim. será para alguém que o queira. alguém que não espera. prefiro a paragem onde estou, enraizado nas pedras da calçada. olham para mim como quem olha com pena. enganadas que são estas duras pedras. deviam saber melhor do que eu, o que esperava. sempre estiveram ali. mas tanto olhar já não conseguiam ver. cegaram para quem lhes põe os pés em cima. censuro-as. nunca devemos cegar para o céu. é o que fazem as pedras, olham para o céu, impossibilitadas que estão de enxergar a vista que está cravada na terra. esperei e olhei como as pedras para o céu. e vi. vejo sempre coisas. mesmo que o céu seja um manto de breu. mas estava na hora. a hora dele que é também a minha. chegou o eléctrico e subi.

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