Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

um eléctrico chamado desejo

um eléctrico chamado desejo

cenoura

depois da excitação de liberdade do corpo da passageira do 28 -agora reparo que não lhe sei o nome- acalmo no café taiti. foi uma secreção de emoções. a leveza do seu corpo endureceu-me o pénis. os bicos rijos dos seus seios acordaram o que mais animalesco tenho em mim. bem sei, instintos básicos. são como as cenouras. há quem diga que para burros. outros para revoluções.

liberdade

lá fora chove. as pessoas agitam-se desorientadas. a chuva desmagnetiza a bússola que há em nós. olho para dentro do eléctrico, que ao contrário do caos da rua, mantém a harmonia dos deuses. não estou só. nunca estou só. saio do eléctrico atrás da passageira habitual do 28. sigo-a como só um carteirista sabe fazer. vou nas suas pegadas e aprecio o seu andar desarticulado. deixo-me levar no balanço. entre mim e ela só a chuva. as coxas abanam ao som da chuva e vou. na esquina a surpresa. a minha perseguia tira a gabardine e rodopia pela chuva. parece um carrocel de felicidade. a água das poças da calçada saltam vigorosamente. ela molhada de sensualidade. as formas à vista da lua. os seios saltitantes, escorregam entre a chuva e a blusa, que parece desaparecer na ilusão do que vejo. deixo-a e recolho-me na primeira porta que abro. tati, de seu nome, o café. e bebo a ela, e à sua liberdade estampada nos cravos que acompanham o meu vinho. a ti.

carnaval

só porque é carnaval, segue pela goela uma caipirinha. nunca deixar a goela secar. é sinal que a vida secou.

manhas

aqui se erguem firmes todas as manhas dos países. assumidamente com altivez. ou não. pode ser só o vento que eleva.

peixeirada

sábado é dia de mercado. uma romaria de necessidade. com peixeirada, como deve ser. assim, em conversas alegres com os peixes a assistir. e ainda pediram cinco euros para tirar a fotografia. e depois eu é que sou o carteirista.

sábado

sábado não é um bom dia para carteiristas. temos a invasão do vazio. não temos entes. mas não estamos ausentes de gente. estamos nós. eu e tu. com uma linha amarela entre nós. não é limite. é vontade de saltar para a outra margem. para ti, que te vejo desse lado. estamos juntos.

os deuses devem estar loucos

é carnaval e ninguém leva a mal. o 28 não parou no carnaval. apanhou o pedro madaleno e enlouqueceu. jazz em vez de samba, porque de rotina estamos enchidos. loucos dos que aqui viajam. espantem-se.

Mais sobre mim

imagem de perfil

Arquivo

  1. 2016
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D