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um eléctrico chamado desejo

um eléctrico chamado desejo

baloiça

se me candidatasse a alguma coisa, fazia logo uma promessa política: parques infantis para adultos. no baloiço dos anos de vida deixamos a felicidade maior. chatice esta de nos quererem adultos. devíamos ser sempre crianças. o mundo seria de outro mundo. quero ver-te na felicidade do baloiço. consigo ver-te a rir desbragadamente. livre e feliz. e gosto tanto. fico com arrepio com a tua felicidade libertadora. baloiça e voa. fico com o vento que me trás o teu perfume. e fico feliz como uma criança.

sopa de letras

a felicidade é uma sopa de letras.

comemos à colherada. temos ânsia. juntamos as letras e as palavras unem-se em união de facto. de mãos dadas. como andam as crianças e como devem andar os casais. felizes e mergulhados numa sopa de letras.

mestre edgar

na viagem do 28, leio. é a crise de assaltos. ou então é a vida cara. o eléctrico anda sem movimento. leio edgar morin. "Para mim o problema da felicidade é subordinado àquilo que chamo de ‘o problema da poesia da vida’. Ou seja, a vida, a meu ver, é polarizada entre a prosa – as coisas que fazermos por obrigação e não nos interessam para sobreviver -. E a poesia – o que nos faz florescer, o que nos faz amar, comunicar. E é isso que é importante. Então, eu digo que o verdadeiro problema não é a felicidade. Porque a felicidade é algo que depende de uma multiplicidade de condições e eu diria mesmo o que causa a felicidade é frágil, porque, por exemplo, no amor de uma pessoa, se essa pessoa morre ou vai embora, cai-se da felicidade à infelicidade." diz o mestre Edgar que não se pode sonhar com uma felicidade contínua. e é essa busca que tenho procurado. mas é impossível porque a felicidade depende de uma soma de condições. o que se pode fazer é viver poeticamente a vida e encontrar momentos de felicidade, momentos de êxtase, momento de alegria. obrigado edgar

à medida

não preciso ver-te para saber. nem só os olhos vêem. as mãos também vêem. mas quem vê melhor é o coração. e vê o teu corpo. e tira-te as medidas. e sabe que o teu corpo tem a exata medida dos meus braços.

daltónico de realidade

como sei o que eu vejo é o que os outros vêem? os olhos não são iguais. as realidades são vistas a cores diferentes. somos daltónicos da realidade. por vezes convergimos no olhar. vemos e olhamo-nos. vemos no outro o que somos. e é a exaltação. é a felicidade. tenho saudades da visão do outro em mim. deve ser isso a que se chama de felicidade.

menina da telefonia

o 28 tem uma telefonia. toca sem parar. não se cansa nas ondas curtas e aguenta-se nas curvas. é companhia nas horas vazias do eléctrico. está lado a lado mesmo que ao lado nada exista. tem vida porque tem voz. ouço a voz da menina. firme como o carril por onde anda o 28. não se desvia, como o eléctrico. tem o rumo de quem sabe para onde vai. confundem-se na beleza e na determinação. a menina da telefonia e o elétrico. são parte da viagem, tal como eu, carteirista que por aqui assalto. ou assaltava. sinto-me mais assaltado pelo que já não sei. mas ouço. ouço a menina da telefonia, como ouço o guinchar das rodas do eléctrico sobre o carril. ouço, já que não ouso falar.

perguntas

andei encostado na noite. falei para a lua. estava cheia, como o 28. fiz perguntas à lua como quem pede um desejo. o desejo de ter a resposta que nos diz. faço perguntas. tenho respostas. quando tenho todas as respostas, mudam as perguntas.

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