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um eléctrico chamado desejo

um eléctrico chamado desejo

último fragmento

e apesar de tudo conseguiste o que querias desta vida? sim. e o que querias? considerar-me amado, sentir-me amado sobre a terra. Raymond Carver

um par ímpar

neste eléctrico encontrei um amor improvável com probalidade de acontecer. o que não era foi. deu-se na improbabilidade. esboçou-se na ingovernabilidade das vidas. a vida, a nossa, passou a fazer-se com um tu. um tu que era um nós. um par divisível. tanto que deu ímpar. um par ímpar. era o que éramos. mas na matemática nem tudo é exato. na matemática dos casos complexos, dividiu-se um caso notável. uma fração que deu erro. um problema que não se resolveu na trigonometria da vida. uma equação com tramitação para o perdão.

desperdício

perdi o eléctrico. vi-o passar. cheguei demasiado tarde na corrida que tinha de fazer. magoei-me na perna esquerda. ando cambado nas emoções e amputado nas razões. perdi o elétrico. fico. sei que passará outra vez. pare ou não pare irei vê-lo. não chegamos, na vida, a viver o que devemos. desperdiçamo-nos. desperdiço-me no meu engano.

um dia

apresentaram-me o paraíso. entrei. vivo nele. calcorreio todas as palavras como se fossem pedras da calçada. todos os dias. como rezasse a bíblia. ajoelho-me e peço perdão. a mim mesmo. pelo mal que me faço. leio todas as noites e não me canso. é como ler-te. [o paraíso são os outros, Valter Hugo Mae]

ausência

ausentei-me do mundo. estou em cativeiro. preso à incapacidade para ser. tenho sido à pressa. é como morrer em sexta-feira santa. é demitir-me do poema. é dar corda ao passado. preciso urgentemente de futuro. preciso de espanto. deus escreveu o mundo com poesia. preciso de poesia. preciso de ressuscitar como jesus. magicar maneira de viver.

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