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um eléctrico chamado desejo

um eléctrico chamado desejo

a rua

A rua sexual anima-se ao longo das caras mal-avindas, os cafés pipilando de crimes desenraízam as avenidas. As mãos de sexo queimam os bolsos e os ventres fervem por baixo; entrechocam-se os pensamentos, e as cabeças menos que os buracos - antonin artaud, doze nós numa corda poemas mudados para português por herberto helder

amor à janela

gosto de janelas altas. janelas de casas com idade avançada. gosto de lhe deitar olhar, às janelas das casas idosas. saber que histórias atrás delas se fizeram nas contas das décadas. só vejo histórias de amor. daquelas janelas só pode ter existido amor belo. faço amor com as janelas e tenho ciúmes daqueles que entre paredes ali fizeram amor. olho à volta. imagino os corpos debruçados nas janelas. ela no parapeito. ele entre as suas pernas. uma janela que se abre ao amor. um amor à janela.

corar

coro a face com os pensamentos que assolam a mente. depravados na essência do que sinto e se mexe. estamos nas metáforas transparentes do que comunicamos. excitantes por sinal. mexo mais sem complexos, embora corando com o que nos afaga. se afaga não apaga. metaforicamente.

pedra

ontem passei pelo calhau. eterno vizinho do mar. vi uma pedra com ferida aberta. recolhia-a na concha do peito para que o coração em ferida não se torne pedra cicatrizada.

o texto

tu és mais que uma citação. és a palavra direta na primeira pessoa. a palavra posta no livro que escrevo a uma só mão. o texto lê-se na transparência do que sinto. por ti.

XLVII

Reconhecer dois tipos de possível: o possível diurno e o possível proibido. Tornar, se possível, o primeiro igual ao segundo; encaminhá-los na via régia do fascinante impossível, o mais alto grau do compreensível. rené char furor e mistério trad. margarida vale de gato relógio de água 2000

abracadabra

sexo e jazz são saídos da mesma pauta. a mesma manipulada pela batuta que chama pela não que amo e agarra com a firmeza de tesão. tanta que não larga até a loba uivar. é a metamorfose da tusa de amor que se escolhe, sem a qual os poetas não ousam ter prazer. abracadabra. vim-me.

noite

a antiga noite prolonga-se na noite que é hoje. chega-me um mensageiro com carta de alvorada. não me mandem um mensageiro, mandem-me um franco-atirador quando à janela eu espreitar. a princípio não se sente nada. é como uma ausência de mundo. é suavidade. depois o calor de sangue a lavar o corpo. oh noite bate as asas e acorda-me do pesadelo em noite de fantasmas, e leva-me para o pé de ti.

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