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um eléctrico chamado desejo

um eléctrico chamado desejo

levitação

a distância de um pensamento deslocado em dois dedos no clitóris. um estímulo graduado na cerveja órfã de olhar. nada impede o impulso da língua no gargalo estreito, em movimentos contínuos, cheios de prazer borbulhado. cócegas na ponta do pénis. levitação sem ilusionismo. realidade próxima da epiderme. aqui e aí.

sem vertigens

uma noite de sonhos femininos.

interrompidos por uma erecção ruidosa. um jogo a dois mexido a um. um jogo de dominó. um jogador de dominó a jogar a solo. dominós, enlouquecidos pelo prazer de bater com as peças, conjugadas nos números siameses, na mesa dura. e o prazer jorrado de branco. imaculado. interrompido pelo prazer e em rotação inversa à paragem cardíaca, o coração bate distante de si mesmo. escuta-se daqui para além. não tem vertigens.

vem

«Porque aquele que deverá vir, virá. Senão o amor não passa de um copo de água rapidamente engolido» Andreï Makine , in "La femme qui attendait"

tic tac

há um tempo que os relógios não registam. um tempo indiferente para todos os outros, mas diferente para mim. porque só eu sei o que sinto e em que sentido. deixo fluir por conta alheia. continuo a sentir por conta própria. o significado deste sentir não é aleatório. é de querer.

parêntesis

hoje apetece-me abrir o coração em parêntesis. meter-te dentro e fazer ponto. deter o tempo e que se foda o espaço

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